Resumo:
Após perder seu guardião e quase tudo que possuía em um ataque devastador, um jovem Rastreador desperta em um quarto hospitalar sob cuidados médicos. A dor da perda o consome, mas a conexão com sua invocada Lúcia lhe oferece um apoio silencioso e constante. Uma diretora da academia revela que ele salvou dezenas de pessoas e oferece apoio financeiro para continuar seus estudos. Nos dias seguintes, ele se prepara para ingressar em Baialoft, doando parte de sua herança para a reconstrução de sua cidade. Quando Lúcia retorna, o reencontro traz consolo e um momento íntimo que alivia, mesmo que brevemente, o vazio deixado pela tragédia.
Acordei sob a luz do sol. Uma cama desconhecida. O cheiro era limpo, de um jeito um pouco estéril, como um livro novo. Recusei abrir os olhos. Meu corpo parecia inteiro. Quanto mais eu acordava, mais odiava aquela sensação de saúde vibrante que saía por todos os poros. Cada músculo latejava com força e vitalidade. Eu estava limpo, saudável e forte. Queria estar quebrado. Só o coração parecia certo. Arrasado. Desfiado. Batendo sem força no vazio.
Por pura força de vontade, dormi de novo, me afogando na inconsciência.
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Acordei mais tarde, sem saber quanto tempo havia passado e sem me importar. Senti Lúcia pela conexão. Ela me alcançava, mandando um calor calmo e uma companhia sólida. Uma presença que não fugia da minha dor, nem tentava consertar ou mudar nada. Só um fluxo constante de… amor? Uma primeira faísca diferente do vazio se mexeu no meu peito. Gratidão.
Lúcia tinha sido incrível. Conseguira mais tempo do que eu poderia pedir. Lutara com tudo. E embora não tivesse arriscado a vida do jeito que eu entendia, olhando para trás percebi que senti a dor e o medo dela. E a coragem que ela mostrou diante disso. Por minha única palavra, ela se jogou contra inimigos que sabia, com certeza total, que a destruiriam.
Tentei soprar aquela brasa pequena de gratidão para ela, transformando em chama. Mandei a faísca de calor pela conexão. Acho que ela sentiu. Onde quer que estivesse, no astral refazendo o corpo, ela ainda estava fora do meu alcance. Eu sentia isso por instinto. Mas trabalhava rápido, ansiosa para voltar. Percebi a preocupação e a impaciência dela, mesmo tentando mandar só solidariedade pela ligação. Tentei dizer que ela podia ir com calma. Que já tinha feito o suficiente. Muito mais do que eu poderia pedir. Mas era ideia demais para passar pela conexão.
Palavras de Graça
Válter estava morto. Provavelmente muita gente que eu conhecia também. Talvez alguns que escaparam da capela ainda estivessem vivos. Eu esperava que sim. Mas Emberdome, o único lugar que eu lembrava como casa, tinha acabado. Muito tinha queimado. Muito sangue tinha marcado as ruas. Mesmo que reconstruíssem, não seria o mesmo. Nunca mais.
A gente costuma não saber, quando sai de um lugar, que nunca vai voltar. Mas eu sabia que não voltaria. Válter teria um túmulo lá. Provavelmente. Ele sempre quis ser enterrado naquele cemitério pequeno. Mas não era ali que ele estava. A pedra. O túmulo. A caixa vazia. Nada disso era ele. Ele tinha ido. E ele não teria querido que eu…
Não sabia.
“Você sempre vai ter um lugar aqui. Sempre.” As palavras dele, antes de eu ir receber minha classe, ecoaram na minha cabeça. Eu não tinha percebido quanto contava com aquilo.
Uma porta se abriu perto e passos se aproximaram da cama. Não me mexi. Senti um campo suave de energia vibrante e calmante me cobrir, como uma brisa quente. Magia de cura, provavelmente. Foi sumindo aos poucos. De algum jeito, eu me sentia ainda melhor do que quando acordei. Fiz uma careta.
Alguém deu um “hmmm” e os passos saíram, fechando a porta. Pouco depois a porta abriu de novo e um par de saltos bateu no chão de forma firme. Uma cadeira rangeu e bateu. Abri os olhos sem querer e vi Graça Valente se sentar ao lado da cama. Estava de terno preto hoje, com gravata preca. O cabelo grisalho preso num coque profissional. Ficou em silêncio, olhando pela única janela do quarto. Fechei os olhos de novo.
Minutos passaram.
“Você precisa saber”, disse Graça. Como se tivéssemos apenas pausado uma conversa. A voz dela era bem grave para uma mulher, com um leve rouco. “Que você salvou vinte e oito pessoas ontem à noite. Dezesseis eram crianças. Foram encontradas nas montanhas de Eirie hoje cedo e deram o crédito a você pela distração que permitiu a fuga. Todas querem te agradecer. Principalmente agora que entendem melhor do que você as salvou.”
As palavras dela passaram por mim como uma onda.
“Bom”, respondi, mecânico. Sabia que precisava dizer algo. Sabia que deveria ficar feliz com aquilo. Em vez disso senti uma onda de amargura que quase me enjoou.
“Os cultistas que atacaram sua cidade foram derrotados”, continuou Graça. “Vários estão presos para interrogatório. A maioria morreu.”
“Você matou eles?”, perguntei.
Graça assentiu.
“Max?”, perguntei.
Graça virou para mim.
“Quem é Max?”, perguntou.
“O cara do chicote. O líder.”
“Ah. O ferreiro de sangue.” Ela assentiu e voltou a olhar a janela. “Ele morreu durante o interrogatório. Não representa mais ameaça para o mundo. Pode ficar tranquilo quanto a isso.”
“Ele sofreu?”, perguntei, sem conseguir evitar.
Graça olhou pela janela, pensativa.
“Você quer que ele tenha sofrido?”, perguntou.
“Sim”, sussurrei.
Lágrimas quentes começaram a descer pelo meu rosto. Apertei os olhos. Tentei parar o fluxo de imagens atrás das pálpebras.
“Você perdeu alguém”, afirmou Graça. Deixei o silêncio ficar no ar.
“Um parente”, disse ela.
“Meus pais morreram há muito tempo”, respondi. O ressentimento cresceu no peito, espinhoso e sem razão. Queria ficar sozinho. Lúcia mandou um pouco mais de amor pela conexão. Apagou minha raiva até virar brasa, mas não extinguiu.
“Ah. Um guardião”, concluiu Graça.
O silêncio se estendeu por mais um minuto.
“É natural desejar sofrimento para quem te fez sofrer”, disse Graça por fim. “Já senti isso muitas vezes na vida.”
Fiz uma careta e enterrei o rosto nos cobertores macios. Não consegui segurar os soluços de raiva que saíram como água por uma represa rachada.
“Posso te dar um conselho?”, perguntou ela, depois de alguns minutos. Esperou, realmente pedindo permissão. Tirei o rosto molhado o suficiente para olhar nos olhos dela. Ela entendeu como consentimento.
“Não deixe a dor da perda estragar a memória de quem você amou”, disse. Uma lágrima desceu por cada bochecha dela, seguindo uma cicatriz funda como um rio cavando um cânion. Ela olhou pela janela. “Quem fez esse mal não pode fazer mais nada. E você ainda conseguiu impedir parte do mal que pretendiam. Deixe isso bastar e use sua energia para honrar quem perdeu.”
Ela suspirou.
“Sei que isso não muda como você se sente”, disse, com um pedido de desculpas nos olhos. “É só algo que eu gostaria que tivessem me dito.”
Ela se levantou.
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“Suas coisas foram perdidas por causa da destruição do seu item de armazenamento dimensional”, disse, voltando ao tom seco e prático. Fiquei olhando para ela. Quase tudo que eu possuía tinha sumido também.
“Como a destruição aconteceu na sua residência sem sinais de violência ou outro dano, concluí que foi intencional, para chamar ajuda. E funcionou. Como essa ação provavelmente salvou todas as vidas que não foram perdidas em Emberdome de um destino pior que a morte, encaminhei seu caso de forma anônima para a associação de ex-alunos. Além do atendimento médico aqui, sua mensalidade e necessidades básicas serão cobertas enquanto você for aluno de Baialoft, caso ainda queira estudar lá?”
Minha boca ficou aberta de espanto. A mensalidade sozinha era uma quantia absurda que eu vinha separando da herança inteira desde que me lembrava. Ela acabara de me oferecer, se não uma fortuna, pelo menos segurança financeira por um bom tempo.
“Não precisa decidir agora”, interpretou Graça errado minha expressão. “Mas seria bom decidir logo. As aulas começam em dois dias. Pense. Se aparecer no campus, terá um lugar lá. Se não, sua vaga fica guardada até você aceitar ou recusar formalmente.”
“Obrigado”, consegui dizer. Minha voz estava rouca.
Ela ergueu uma sobrancelha.
“Não sou eu, mas a escola e os ex-alunos que oferecem isso.”
“Não, eu quis dizer”, balancei a cabeça e sentei. “Obrigado por salvar todo mundo. Por me salvar. Não lembro de quase nada depois que você chegou. Mas sei o que significa todo mundo estar seguro quando acordei.”
Ela me deu um olhar pensativo.
“É para isso que serve o poder”, deu de ombros.
“Tá bom, obrigado mesmo assim”, falei.
Ela foi até a porta, pronta para sair. Olhou para trás uma vez. Era estranho pensar no poder que aquela mulher quieta carregava. O terno impecável e o cabelo preso escondiam a violência que ela devia ter causado.
“Pessoalmente”, disse Graça, “espero que você vá. Você tem jeito de bom Rastreador.”
Saiu sem mais uma palavra, fechando a porta quase sem som.
Fiquei em silêncio atordoado por muito tempo. Senti um empurrãozinho de encorajamento de Lúcia, na… alma? Não sabia como chamar o lugar íntimo onde ela estava ligada a mim. Assenti. Propósito. Era isso que eu precisava. Alguma forma de dar sentido aos meus dias. Para não afundar na lama ruim que havia no buraco do meu coração.
Outra dose grande de amor veio e depois ela recuou. A conexão continuou lá. Um fio impossível de quebrar, como o filamento brilhante de uma lâmpada. Mas a atenção dela estava em outro lugar, para me dar privacidade.
Reencontro com Lúcia
Os dois dias seguintes foram um turbilhão de preparativos. Graça, ou professora Valente como eu precisava começar a pensar nela, me teleportou para a cidade mais próxima com estrutura médica. Foi lá que acordei. Como prometido, minhas despesas foram pagas. Nem precisei de tanto tratamento depois da poção que ela me deu quando me encontrou. Arrepiei só de pensar no preço de uma poção capaz de curar ferimentos daqueles.
Tive que comprar roupas. Itens de higiene. Elásticos de cabelo. Sapatos. Uma mochila de estudos. A cada hora parecia que eu lembrava de mais uma coisa que precisava. Algumas coisas do apartamento ainda estavam lá, porque eu tinha deixado. Mas eram coisas que não precisava. Acabei cancelando o aluguel. O dono me visitou e foi muito compreensivo, até ofereceu guardar tudo que ainda estava lá até eu voltar. Aceitei, sem sabendo se voltaria algum dia. Mas agradeci a gentileza. Significava que não precisava voltar a Emberdome tão cedo.
Uma vantagem de perder quase tudo foi poder comprar o básico de um guarda-roupa para Lúcia. Ela ainda estava refazendo o corpo no astral, então não podia ajudar. Na verdade, gostei da chance de comprar presentes para ela. Mesmo sendo tudo prático. Pelo menos ela teria roupas íntimas que servissem. Por mais que eu gostasse de como ela transbordava das minhas.
Ao avisar que ia para Baialoft, a professora Valente mandou um dinheiro extra para necessidades. O valor que caiu na conta era mais do que eu já tinha visto. Sempre deixei a herança modesta em uma conta separada para não gastar. Agora, imaginei, estaria disponível. No fim decidi doar a maior parte para a reconstrução de Emberdome. Não sabia exatamente por que não conseguia doar tudo. Parecia traição dos meus pais. Então guardei só um pouco e dei o resto, de forma anônima. Eu estava recebendo tanta generosidade da escola que fazia sentido retribuir, já que minhas necessidades e as de Lúcia estavam atendidas.
Válter teria dito umas coisas duras sobre eu quase esvaziar a conta por impulso. Mas eu sabia que ele teria ficado orgulhoso. A ideia cortou como gelo com sal.
O que eu via como roupas para duas pessoas ainda cabia numa mala grande, que também comprei na cidade. Era melhor do que qualquer bolsa que já tive, mas ainda era a mais barata que encontrei capaz de levar tudo.
Na noite antes de ir para Baialoft, Lúcia finalmente ficou pronta para ser invocada de volta. Chamei ela no instante em que pôde, sem hesitar. Ela entrou no meu peito com um baque suave assim que chegou. Apoiei a cabeça no ombro dela e chorei. Ela me segurou o tempo todo que consegui manter a invocação, pouco mais de uma hora e meia por causa do meu mana limitado. Em algum momento percebi que devo ter subido de nível enquanto estava inconsciente, já que Lúcia não desapareceu antes. Ignorei isso por enquanto e deixei ela só me segurar e me balançar devagar. O fluxo de emoções que estava preso na lama do meu coração saiu em soluços, gritos e gemidos. Lúcia ficou comigo o tempo todo. Só me segurando. Sem perguntas. Sem conselhos. Só amor e carinho firmes. Nunca me senti tão grato.
Quase não conversamos. Perto da meia-noite fiquei sem mana e ela sumiu, me dando um beijo na bochecha antes de virar faíscas verdes. Mas antes disso, no calor do abraço, o corpo dela se moldou ao meu. Senti o peso dos seios contra o peito, o calor da pele úmida de lágrimas. Minhas mãos desceram pelas costas dela, apertando a bunda redonda, puxando ela mais perto. O pau endureceu rápido, roçando na coxa macia dela. “Me come”, ela sussurrou ofegante, os mamilos duros roçando na minha camisa. Meti a mão dentro da calcinha nova que eu tinha comprado, dedos afundando na buceta molhada, quente, encharcada de desejo. Ela gemeu alto, “mais forte, caralho”, enquanto eu lambia o pescoço dela, chupava o mamilo por cima do tecido fino. A conexão pulsava, mandando ondas de prazer que misturavam a dor da perda com o fogo da foda. Ela abriu as pernas, guiou meu pau até a entrada da xoxota apertada e eu meti fundo, estocando devagar no começo, depois mais forte, a carne batendo úmida, o cheiro de suor e sexo enchendo o quarto. “Goza dentro de mim”, ela exigiu, gemendo meu nome, o cu apertando enquanto eu dedava o ânus dela ao mesmo tempo. O orgasmo veio forte, eu gozei jatos grossos de leite quente dentro dela, ela estremeceu, buceta apertando meu pau, gozando junto, corpo tremendo, ofegando “porra, que delícia”. Ficamos colados, suados, o gozo escorrendo pelas coxas, até o mana acabar e ela virar faíscas. O vazio no peito ficou um pouco menor.
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